Entendendo Alberto e a Cruz


16/01/2006


Escrito por Alberto da Cruz às 23h08
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Perdoe

Perdoe, amor, as lágrimas de saudade

Escorrendo em teu olhar de mim distante

Elas doem demais, bem sei, é verdade.

No sofrer, olhe o céu, ele é cintilante.

 

Vê a dor minha, mas não tenhas piedade

O rosto há muito não é brilhante,

É triste e frio, sem alívio à soledade

Diferente do tempo em que era radiante.

 

Perdoa, amor, as lágrimas de saudade

Palavra, por mim, a qualquer instante

Cessará a dor – ao mundo só bondade

 

Aos teus pés hei de cair – louca vontade

Hei de beijar  tua mão enebriante

E morrer. Completa felicidade.

Escrito por Alberto da Cruz às 23h00
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Do vale sombrio e funesto

Ergue-se a figura mórbida,

Caminha tristonha e chorosa

À procura de alguém.

 

Traz no semblante cansado

O desespero de quem se foi...

Passos rápidos, descompassados

Cambaleando no mundo.

 

Deixa estar a  dor e medo

Transfigurada em seu peito

Como única forma de vida

 

Deixa estar a melancolia

Transparente e seu rosto

Como único fim ao tormento.

Escrito por Alberto da Cruz às 22h59
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Queda

Da longa terra sombria,

Onde a alma apaixonada,

Inocente, foi se perder,

Surgiu a criatura irada,

Com o peito mergulhado em agonia

Para as vistas humanas a dor ver.

 

Era amante solitário à noite fria,

Quando sentiu a vida arruinada

E teve o primeiro desejo de morrer.

Adentrou, pobre infeliz, na escura estrada

A fim de exterminar o que sentia:

Da doce amada, os carinhos não ter.

 

No pântano das ilusões o que sentia

Era um martírio à sua dor germinada,

O desespero de nela, não mais crer

A paixão, antes, aclamada

Mudara brutalmente ao passar o dia

Em que tristemente lhe foi negado o querer.

 

Suportou a rejeição ao máximo que podia,

Antes da treva dar-lhe morada

E seu denso sangue aos lábios reter.

Com o beijo infernal, a alma enjaulada,

Sucumbiu sem única companhia

A ouvir os risos de Mefistófeles sem nada fazer.

Escrito por Alberto da Cruz às 22h59
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No Último segundo

O corpo cambaleia sem forças,

Os olhos fundos pesam demais

Já não me agüento...

Tento escorar-me nas paredes

Mas não consigo....

 

Ah! a respiração ofegante...

O peito dói tanto!

Quase não consigo buscar o ar...

Todos os músculos doem.

E me desespero...

 

Tento, inutilmente, levantar

Mas falta-me força...

O chão é tão frio...

Se parece com o gelo – toma meu corpo

Eu agonizo.

 

As mãos estão atrofiando...

Meu Deus! os olhos estão virando

Não paro de tremer

Que angústia sinto rasgar-me a alma!

Eu grito...

 

O coração bate descompassado, forte, rápido...

O sangue fervilha..., eu o sinto correr...

AH! ... quase não o sinto... silêncio...

Brando... devagar... parando...

O último suspiro..., o último gemido...

Eu choro, ... eu...

Escrito por Alberto da Cruz às 22h56
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Medo

Tenho medo de nos teus braços

A minha cabeça pender.

Tenho medo de nos teus passos

Meu corpo mais se perder.

 

Sou tão tolo às vezes!

Escrito por Alberto da Cruz às 22h55
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Cavaleiro das Sombras

Nervoso, penetro a gruta sombria,

Afiada espada nas mãos,

Sequioso de um sanguinário combate

Entre a alvura e a escuridão.

 

Lentamente, caminho em direção.

O funesto lugar de sonhos

Arrepia-me a alma descontente,

Calo a voz, suspiro, sigo em frente.

 

Erguida, a lâmina brilhante,

Seu fio afiado desbrava a mata,

Na surdina da gélida noite

Murchas flores, secas folhas estalam.

 

Furtivamente, prossigo...

Estalam sob meus pés as folhas

Meu rosto banha-se de suor

Temo morrer, será o pior.

 

Voraz, caminho apressado,

Preparado para a figura do monstro,

Enlouquecido, matar...

Aperto o passo – descompassado, frenético, delirante

 

Defronte ao inimigo

Sem dúvidas é o amargor.

Uivo, berro, grito, ... soluço e... choro.

Abaixo a cabeça e, Deus! eu coro.

Escrito por Alberto da Cruz às 22h53
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Preparação

Preparo-me para escrever.

Sento na já acostumada cadeira,

Sempre a mesma... como se fosse

O trono, e nele eu fosse rei.

 

Preparo uma xícara com forte café

Para temperar-me a boca.

Alinho o cinzeiro prateado,

À direita, por cima da folha manchada.

 

Disponho os livros da mesma forma... sempre,

Os de Teoria Literária à esquerda,

Os de ilustres poetas do passado à direita,

No centro do meu universo, o dicionário.

 

Já disposto o material... inicio, assim

O ritual tristonho de minha alma.

Consulto o relógio afim de marcar o tempo,

Acendo meu cigarro... estou pronto.

 

A caneta vai bailando à folha,

Minha alma transborda poesia...

Meus olhos se orvalhando...

E lá me vou... perdido em minha sina

(desvario)

Escrito por Alberto da Cruz às 22h52
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Sinto no peito uma dor que me consome

Sinto no meu peito uma dor...

Ela me consome!...

Suga-me as energias –

Já não me agüento.

A dor do espírito fere o corpo.

Já não tenho forças!

 

Meus olhos se fecham,

Tudo é sombra...

Ao meu redor,

Tudo é negro.

 

O Sangue flui em meu corpo,

Não porque te amo,

E sim, pois dói, dói tanto!!!

 

Minhas pálpebras pesam.

Tenho trêmulos devaneios.

Que imagens são essas

A se formarem perante a mim?

 

Estrela solitária do meu céu morto,

A quem condena o meu penar?

Se outrora sorria aos teus encantos,

Agora, só me resta chorar.

Escrito por Alberto da Cruz às 22h50
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Teu Repouso

Deitada em teu macio leito, descansas.

O véu alvo teu corpo encobre

Protegendo tua pele de ceda.

Teus lábios fechados, olhos cerrados...

Permanece imóvel em teu leito.

 

À beira da cama... minhas lágrimas...

Repousas, pálida virgem! nos sonhos eternos,

Alheia ao meu funesto sofrimento,

A tua tez, gélida, sem cor.

 

Ai! que sofro de amor

Nesta fria noite sem teu calor.

Sem ouvir teu canto de anjo

Nos impuros ouvidos meus.

Durma em teu leito, durma.

Que deste cruel mundo,

Agora, está protegida tua alma pura;

E das insanidades da vida tu estás ilesa.

 

Ai de mim! Ai de minha alma a olhar o horizonte

Sabendo que o rosto belo, a divindade tua

Já não estão presentes.

 

Sofro, sofro vendo teu corpo em descanso,

Perfumada com flores – agonia...

Minha alma chora... vendo-te gélida à cama fria.

Escrito por Alberto da Cruz às 22h45
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