Entendendo Alberto e a Cruz


26/01/2007


E ainda assim

                                        I

                           "Amo tua voz e tua cor
                           
E o teu jeito de fazer amor"
                                             
Paixão, Kledir

 

Amo seu corpo sob o meu

Preso e imobilizado

E ainda assim me dominando

 

Amo sua cor à meia luz

Alva e díspar

E ainda assim me fascinando

 

Amo seu cabelo lhe cobrindo o rosto

Negro e volumoso

E ainda assim me encantando

 

Amo sua pele a me aquecer

Aveludada e cheirosa

E ainda assim me ouriçando

 

Amo sua voz em meu ouvido

Clara e perturbadora

E ainda assim me confundindo

 

Amo sua língua em minha boca

Quente e nervosa

E ainda assim me acalmando

 

Amo sua mão deslizando em minhas costas

Delicada e macia

E ainda assim me arrepiando

 

Amo suas unhas arranhando minha pele

Afiadas e raivosas

E ainda assim me satisfazendo

 

Amo seus olhos fitando os meus

Brilhantes e atraentes

E ainda assim me alucinando

Escrito por Alberto da Cruz às 12h48
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II

                                        

Amo sua boca em meu pescoço

Voraz e agressiva

E ainda assim me enlouquecendo

 

Amo seus dentes marcando meu torso

Fortes e decididos

E ainda assim me entregando

 

Amo seu nariz contra meu peito

Pequeno e melindroso

E ainda assim me endoidecendo

 

Amo seus seios pressionados em mim

Esculpidos e juvenis

E ainda assim me tresloucando

 

Amo seu ventre roçando no meu

Teso e desenhado

E ainda assim me aprazendo

 

Amo seu quadril lentamente remexendo

Lépido e sedutor

E ainda assim me desesperando

 

Amo sua respiração instável

Ofegante e entrecortada

E ainda assim me deleitando

 

Amo seus gemidos loucos

Inconstantes e provocativos

E ainda assim me hipnotizando

 

Amo seu grito estonteante

Tenso e libertador

E ainda assim me condenando

 

Amo seu corpo sob o meu

Frágil e extasiado

E ainda assim me dominando

 

Amo sua cabeça sobre meu ombro

Molhada e leve

E ainda assim me enternecendo

 

Amo sua mão brincando em meus pêlos

Lânguida e delicada

E ainda assim me adormecendo

 

Amo seus lábios selando os meus

Quentes e suaves

E ainda assim me ninando

 

Amo seu tronco colado ao meu

Ardente e suado

E ainda assim me acalmando

 

Amo seu jeito de dormir

Inocente e descansado

E ainda assim me admirando

 

Amo seu jeito de fazer amor

Ardente e apaixonado

E ainda assim me matando

 

Escrito por Alberto da Cruz às 12h47
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24/01/2007


Escrito por Alberto da Cruz às 13h11
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Tudo o que eu queria

Eu queria mais uma vez

Ter você presa em meus braços,

Troncos colados, atados

Como corpos inseparáveis.

 

Eu queria mais uma vez

Ter o gosto dos seus lábios

Delicados, finos, perfilados

Recostados nos meus.

 

Eu queria mais uma vez

Ter seus dedos entre os meus,

Puxando-me para ledos caminhos

Até então desconhecidos.

 

Eu queria mais uma vez

Ter sua respiração entrecortada

Suspirar incendiada em meus ouvidos

Enquanto no meu peito arfas pressionada.

 

Eu queria mais uma vez,

Somente mais uma, nada mais,

Ter  seu amor, mesmo momentâneo,

Dedicado a mim, o seu ser errante!

Escrito por Alberto da Cruz às 12h29
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Meu Rosto

O rosto triste evasivo

Não esconde mágoa nem dor

E translúcido

Revelando os espasmos

Os gritos, soluços e amargor.

 

Sorrir é preciso — alguém me disse

Mas a boca minha não se ergue

Não se desenha riso

Não me brilham os dentes

Não há motivos!

 

Sou eternamente triste

Desculpe, faz parte de mim.

Ousara um dia alegria

Mas falsa foi, não durara

E no fim maior dor causara.

 

Se sou triste e solitário

A caneta é minha amiga

Transcende o papel

Registra os pontos, garranchos

Quando me pesam as retinas.

Escrito por Alberto da Cruz às 12h28
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Miedo di uncê

Ti amei, mais uncê

Num ama ieu.

Condo ti persigu sem falá um tico,

Penas oiando uncê rastá us pé

Na istradinha de chão que se adentra

Na mata fechada du mieu coração

Duenti e margurado das dô

Qui as muié  de antis me fez,

Fica eu oiando cum um baita medo

Di uncê cá dentro di eu se perdê

E nunca mais saí dos meu pensamentu

Assentandu moradia no miei dieu

Escrito por Alberto da Cruz às 12h26
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Década

Quase uma década, querida,

Fez-me o tempo te esperar...

Deixou-me maduro, vivido, cansado

Sem saber que um dia iria te encontrar.

 

Construí castelos, plantei ilusões

E os vi desmoronar, e as vi secar

Errando na vida amarga que tive

Sem saber que um dia iria te encontrar.

 

A chorar vãs amarguras

Que o dia, a noite vi levar

Pensei em tudo largar, mesmo, desistir

Sem saber que um dia iria te encontrar.

 

Mas vi seus olhos de menina

Nos meus, pueril dançar.

Brotou-me uma singela alegria

Sem acreditar que um dia iria te encontrar

 

Tremeram-me as pernas, arrepiei-me.

Senti o íntimo gelar...

Estavas lá, doce, serena e linda... e eu

Sem acreditar que um dia iria te encontrar!

Escrito por Alberto da Cruz às 12h24
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Eu Tive tanto Medo

I

 

Eu tive tanto medo de ser obrigado

A te ignorar, fingir e te esquecer

Caminhar vazio depois de ser pleno

E viver as mágoas deste destino.

 

Eu tive tanto medo dos maldosos

Comentários recaindo sobre os ombros

Cingindo a mácula da discórdia

E nos afastando perpetuamente.

 

Eu tive medo, medrei, chorei...

Quis ter a sua formosura em paz

Sem os olhos correrem nervosos

A procurar por quem nos mal-quis.

 

Eu tive medo de reprimendas,

Proibições, condenações severas

Sem defesas, sem argumentos

Que me levariam para longe.

 

Eu tive medo de apesar dos esforços,

Decisões inacreditáveis e certa loucura

Tudo o que vivemos fosse destruído

Pelo senso racional inescrupuloso do mundo.

 

Eu tive medo de nunca mais sentir

O gosto doce e o toque delicado

Dos teus lábios alimentando os meus

Sonhos mais puros de alegria.

 

Eu tive medo de jamais ouvir

Tua voz encantar-me os ouvidos

Como uma sinfonia emocionante

Tocada com paixão sincera.

 

Eu tive medo de não mais fitar

Teus olhos negros infinitos

E mergulhar no abismo sem fim

Da tua órbita singular e brilhante.

Escrito por Alberto da Cruz às 12h21
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II

 

Eu tive medo de nunca mais sentir

Tuas finas mãos delicadas

Escorregarem em minha face triste,

Lentamente, num carinho apaixonado.

 

Eu tive medo de jamais ter

Em mim o calor do teu corpo

Aquecendo o meu frio intenso

E derretendo as geleiras minhas.

 

Eu tive medo de não mais seguir

Teus passos lépidos, infantis

Deslumbrado com a felicidade

Dos teus gestos pueris.

 

Eu tive tanto medo de acordar,

Perceber que eras um sonho,

Uma imagem platônica ideal

Fruto da minha torpe imaginação.

 

Eu tive tanto medo de respirar,

Não sentir o teu perfume,

Te procurar no mundo

Sem nunca encontrar

 

Eu tive tanto medo de viver

Sem saber o que sobra à minha vida

Sem que exista paz à minha dor

Depois de provar o bem e só ter o mal.

 

Eu tive tanto medo da distância,

Dos muros que construía para te evitar

Das horas rubras em que quis me matar

Para não padecer a tua perda.

 

Eu tive tanto medo... em vão...

Não era preciso temer

Era sim preciso te querer,

Te conter, te segurar, te amar.

Escrito por Alberto da Cruz às 12h21
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III

 

Não tenho mais medo!

Eu tenho agora o Amor

Explodindo em meu peito

Numa erupção descomunal.

 

Não tenho mais medo!
Eu tenho agora a alegria

Do teu sorriso estampada

Na minha face tímida.

 

Não tenho mais medo!

Eu tenho agora a paz

Do teu olhar iluminando

Meus caminhos encontrados.

 

Eu tive medo!

Não era preciso ter medo!

Não tenho mais medo!

Não tenho mais...

 

Tenho agora

O muito mais!

Escrito por Alberto da Cruz às 12h19
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