Entendendo Alberto e a Cruz


06/04/2008


Soberania dos meus desejos

Não sei se a soberania dos meus desejos

Transmite o despertar da loucura

Vestes amargas de amargurados beijos

Transluzidos loucos à noite escura.

 

Delírio insano de prazeres e ensejos

Profanos à idéia da vã censura.

Dias estranhos de muitos lampejos

E revolta constante de usura.

Escrito por Alberto da Cruz às 12h46
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Palavras Vazias

Dias são frios na alma sofrida.

Não há um sorriso que me distraia.

Nada me deixa feliz ou me encanta.

Em mim só existe a tristeza amarga,

Só há o pranto explícito de dor.

 

Por que continuar a farsa de nossas vidas

Se a verdade é mais sentida

Do que qualquer mentira não dita?

Não há motivos para insistir em dias

Se a noite perdura por meses.

 

Nada do que eu diga irá mudar o mundo.

Palavras, muitas vezes belas, são tão vazias

Quanto um saco de ar inútil.

De nada servem além de embelezar

As horríveis verdades da melancolia.

 

Palavras vão ao vento como impropérios

E malogram como imundas vicissitudes.

Não gosto das minhas palavras

Pois elas revelam ao mundo quem sou.

 

Os dias hoje são frios demais,

As lágrimas intensas demais,

A felicidade é uma triste utopia,

A morte é a única certeza que há.

 

2008, 03 de abril

Escrito por Alberto da Cruz às 12h44
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Velhas Fotografias

 

Vivendo de velhas fotografias,

Imagens rasgadas em papéis amarelados,

Sigo a vida rumando para a morte

Na esperança de abrandar minha saudade.

 

São meus fantasmas jamais esquecidos

Que seguem meus passos, afoitos como lobos

À espera de um simples descuido meu

Para roerem-me os ossos reumáticos.

 

Uma vida inteira de plagas incontáveis,

Imensas cicatrizes marcando meu rosto

Em rugas e vincos do tempo amargo

Sobre a pele maltratada pela desgraça.

 

Tudo o que se foi num sonho juvenil

Perdido eternamente está, como um corpo

Sem vida, caído nas ruas enlameadas

Da minha triste amargura.

 

A sepultura vazia de flores

Sem nenhuma referência às dores,

Às conquistas, aos sonhos, aos delírios

Do homem que um dia fui e hoje já não sou.

 

Velhas fotografias em branco e preto

Velhas lembranças de um tempo ameno

Velhas esperanças de um sonho real

Velha certeza de que tudo um dia se esvai...

E vai.

 

2008, 03 de abril

Escrito por Alberto da Cruz às 12h43
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13/03/2008


Escrito por Alberto da Cruz às 00h04
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12/03/2008


Sua

Sua

 

Quero me lançar nos seus braços

Quando chega cansado do trabalho.

Quero me prender no seu corpo suado

E calar sua boca com meus lábios pintados.

 

Quero manchar sua camisa com meu batom

Morder, marcar seu pescoço com minha paixão.

Quero arranhar suas costas, deflorar sua pele,

Fazê-lo gritar de prazer em meio-tom.

 

Quero arrancar feito louca seus botões,

Livrá-lo da roupa que me atormenta o cenho.

Quero emaranhar meus dedos nos seus pêlos,

Abocanhar num delírio insano seu peito.

 

Quero sentir sua língua nervosa em minha orelha,

Ouvi-lo gemer inquieto em meu ouvido.

Quero sufocar de prazer seu grito nervoso

Derreter-me inteira em suas ansiosas mãos.

 

Quero levá-lo ao céu, ver o paraíso,

Numa viagem sem volta ao meu desconhecido.

Quero me entregar inteira, sem nenhum juízo,

Ser sua, sempre sua, somente sua até perder o tino.

 

 

 2008, 03 de março

Escrito por Alberto da Cruz às 23h30
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Às vezes o amor acaba

Às vezes o amor acaba

 

Às vezes o amor acaba

E não há mais o que fazer

A ternura se vai embora

Sem ao menos se despedir.

 

Às vezes o amor acaba

Embora não se queira o fim,

A alegria bate a porta

Sem dizer se um dia volta.

 

Às vezes o amor acaba

E é ruim aceitar que sim.

A felicidade não olha para trás,

Caminha no tempo sem reagir.

 

Às vezes o amor acaba

E não se consola quem chora.

A dor chega sem licença

Sem ligar, somente para ferir.

 

Às vezes o amor acaba

E nada mais importa.

A ilusão breve se evapora

Sem deixar o sonho ressurgir.

 

Às vezes o amor acaba

E a lástima é o que sobra.

A doçura do instante se amarga

Sem que se possa impedir.

 

Às vezes o amor acaba

E a lágrima escorre nervosa.

A calmaria se revolta tempestuosa

Sem que se tente do mar emergir.

 

Às vezes o amor acaba

E não há mais o que fazer,

Embora não se queira o fim.

E é ruim aceitar que sim

E não se consola quem chora.

E nada mais importa.

E a lástima é o que sobra.

E a lágrima escorre nervosa.

 

Às vezes o amor acaba,

A ternura se vai embora,

A alegria bate a porta,

A felicidade não olha para trás,

A dor chega sem pedir licença,

A ilusão breve se evapora,

A doçura do instante se amarga,

A calmaria se revolta tempestuosa.

 

Porque às vezes o amor acaba.

Acaba, enfim.

 

Alberto da Cruz

2007, 09 de dezembro

Escrito por Alberto da Cruz às 23h28
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Minha terra

 

Minha terra é quente como o inferno.

Aqui o sol arde em brasas insuportáveis

E queima a pele como fogo desgraçado,

Só deixando as cinzas lastimosas.

 

Minha terra é bela, apenas pela janela

Quando o mar se avista ao longe

E ilude os tolos, bobos descendo a serra

Futuros afogados nas águas do mistério.

 

Minha terra é uma ilusão hipócrita

De paraíso infernal num sonho malogrado.

Não há anjos bons, só decaídos

Ruflando as asas, emperdenidos.

 

Minha terra de histórias, mitos, lendas;

Nada é verdade na voz do povo,

Somente de mentiras vive o novo

E assim, inútil dizer das utopias.

 

Minha terra, terra erma de ninguém...

Como é quente nesta merda

Que somente aos imbecis convém.

 

 

16/2/2008

Escrito por Alberto da Cruz às 23h27
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Caem minhas lágrimas

 

Caem minhas lágrimas ocultas

Como a chuva estalando em poças

Quando o céu esmorece.

Caem sofridas minhas lágrimas,

Frias como escuras águas

Nas cavernas taciturnas da alma.

 

E se choro, e choro

De certo o revés de um momento

Transluz o sentimento inverso

Avesso a qualquer gesto contrário.

Minhas lágrimas caem como a chuva

Em uma tarde cansada de verão.

 

Põe-se o sol, escurece em mim.

Um negrume opaco cego de tormentos

Soluçando, gemendo, gritando as dores

Sufocadas num buliço nervoso ao caos

Do mundo, do universo inverso íntimo do verso.

 

Não há lua em um céu morto.

Estrelas jazem num vácuo absorto...

Minhas lágrimas de abandono

Caem como a chuva em poças estalando...

...escorrendo...

... matando...

... morrendo...

Em poças amarguradas, sem calma.

 

2008, 04 de Janeiro

Escrito por Alberto da Cruz às 23h25
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Aos de ontem

 

 Meus amores de ontem

Estão todos deitados em silêncio,

Na vaga agitada do meu coração

Como tristes marinheiros perdidos

No mar de meus delírios.

 

Morreram os amores antigos

Em minha lembrança vasta

Como navegantes desgraçados

Num mar de perdição, sem rumo.

 

Naufragadas as velhas paixões

Afundam como barris vazados

No abismo do abandono

No descaso do bravio mar.

 

A escuma leve leva a ternura

Vai à praia, empurrada, a esperança;

Sem vida o corpo das reminiscências se expurga

E aos caranguejos e moscas se aluga.

 

Mas o mesmo mar que leva, traz.

E se a dor morre com o amor de ontem

Navegando em paz vem ao longe

Um sorriso novo pleno de amor.

 

 

11-02-2008

Escrito por Alberto da Cruz às 23h24
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10/02/2007


Novamente os sonhos

                     

Em sonhos

A tua boca beijava;

Tocavam-se as faces nossas;

O mesmo ar respirávamos;

Nossas bocas se atavam.

 

E eu sentia teu coração estremecer...

E eu sentia meu coração trepidar...

E eu sentia teu peito arfar...

E eu sentia meu peito arder...

Escrito por Alberto da Cruz às 10h32
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Em sonhos fico

 

Do teu beijo fujo enfausto,

Desvairado e lenitivo.

Porém em sonhos fico

Ocluso em meu martírio.

 

Do teu olhar, o meu desvio,

Outra face busco aflito.

Porém em sonhos fico

A contemplar o teu presídio.

 

 Do teu toque me esquivo,

A custo não me alucino.

Porém em sonhos fico

Delgado em meu suplício.

 

Escrito por Alberto da Cruz às 10h31
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Minha ruína

 

Minha ruína, bebo em longos tragos;

A morte sorvo lentamente.

Meu destino, vejo calado

A me fitar sofregamente.

 

Esta taça em minhas mãos,

O ardor me corroendo lentamente,

Rubros olhos, face rubra

E o delírio em mim intensamente.

 

Aproxima-se do fim o líquido rapidamente...

Desvirtuo a vida e nos prazeres,

Insana consciência de quereres,

A fumaça toma a cela completamente.

 

A morte encerra a vida;

Na garrafa finda o vinho;

As cinza acabam no cinzeiro;

O poema termina no lixo;

— Meu corpo jaz em ruína! —

 

Escrito por Alberto da Cruz às 10h30
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26/01/2007


E ainda assim

                                        I

                           "Amo tua voz e tua cor
                           
E o teu jeito de fazer amor"
                                             
Paixão, Kledir

 

Amo seu corpo sob o meu

Preso e imobilizado

E ainda assim me dominando

 

Amo sua cor à meia luz

Alva e díspar

E ainda assim me fascinando

 

Amo seu cabelo lhe cobrindo o rosto

Negro e volumoso

E ainda assim me encantando

 

Amo sua pele a me aquecer

Aveludada e cheirosa

E ainda assim me ouriçando

 

Amo sua voz em meu ouvido

Clara e perturbadora

E ainda assim me confundindo

 

Amo sua língua em minha boca

Quente e nervosa

E ainda assim me acalmando

 

Amo sua mão deslizando em minhas costas

Delicada e macia

E ainda assim me arrepiando

 

Amo suas unhas arranhando minha pele

Afiadas e raivosas

E ainda assim me satisfazendo

 

Amo seus olhos fitando os meus

Brilhantes e atraentes

E ainda assim me alucinando

Escrito por Alberto da Cruz às 12h48
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II

                                        

Amo sua boca em meu pescoço

Voraz e agressiva

E ainda assim me enlouquecendo

 

Amo seus dentes marcando meu torso

Fortes e decididos

E ainda assim me entregando

 

Amo seu nariz contra meu peito

Pequeno e melindroso

E ainda assim me endoidecendo

 

Amo seus seios pressionados em mim

Esculpidos e juvenis

E ainda assim me tresloucando

 

Amo seu ventre roçando no meu

Teso e desenhado

E ainda assim me aprazendo

 

Amo seu quadril lentamente remexendo

Lépido e sedutor

E ainda assim me desesperando

 

Amo sua respiração instável

Ofegante e entrecortada

E ainda assim me deleitando

 

Amo seus gemidos loucos

Inconstantes e provocativos

E ainda assim me hipnotizando

 

Amo seu grito estonteante

Tenso e libertador

E ainda assim me condenando

 

Amo seu corpo sob o meu

Frágil e extasiado

E ainda assim me dominando

 

Amo sua cabeça sobre meu ombro

Molhada e leve

E ainda assim me enternecendo

 

Amo sua mão brincando em meus pêlos

Lânguida e delicada

E ainda assim me adormecendo

 

Amo seus lábios selando os meus

Quentes e suaves

E ainda assim me ninando

 

Amo seu tronco colado ao meu

Ardente e suado

E ainda assim me acalmando

 

Amo seu jeito de dormir

Inocente e descansado

E ainda assim me admirando

 

Amo seu jeito de fazer amor

Ardente e apaixonado

E ainda assim me matando

 

Escrito por Alberto da Cruz às 12h47
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24/01/2007


Escrito por Alberto da Cruz às 13h11
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